Qui, 14 de julho de 2022, 15:21

Equipamento desenvolvido na UFS auxilia monitoramento do conforto térmico de bovinos
Tecnologia de baixo custo facilita controle de temperatura, umidade e radiação de animais
Solução inovadora monitora índices térmicos a partir de sensores. Fotos: Osmar Rios/TV UFS
Solução inovadora monitora índices térmicos a partir de sensores. Fotos: Osmar Rios/TV UFS

Com a média de produção de 49 milhões de litros de leite por ano, Nossa Senhora da Glória, município localizado no Alto Sertão de Sergipe, carrega o status de maior bacia leiteira do estado. Em 2020, a cidade respondeu por 13% do leite produzido em todo o território sergipano, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É numa propriedade rural do município que pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) estão testando um equipamento para auxiliar o monitoramento do conforto térmico de vacas na produção leiteira. Trata-se do Confterm. A ferramenta foi desenvolvida no âmbito do PICS – Programa de Indução à Criação de Startups, da Coordenação de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFS (CINTTEC).

O coordenador do Laboratório de Máquinas e Motores do Departamento de Engenharia Agrícola da UFS, professor Welington Gonzaga do Vale, destaca que a ideia surgiu diante da “necessidade de monitoramento constante dos índices térmicos de forma remota e com baixo custo, uma vez os equipamentos vendidos são caros e não proporcionam a integração de todas as variáveis e nem disponibilizam esses dados remotamente.”

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O aparelho utiliza a linguagem de programação Python para coletar os índices térmicos através de sensores. Os dados sobre temperatura, umidade e radiação são processados numa plataforma online, gerando relatórios em tempo real sobre a situação térmica do ambiente.


Welington Gonzaga do Vale é professor do Departamento de Engenharia Agrícola da UFS
Welington Gonzaga do Vale é professor do Departamento de Engenharia Agrícola da UFS

“Produzir leite é trabalhar geralmente com genética européia, de clima temperado, com baixas temperaturas. Porém, produzir leite de qualidade com fatores ambientais muitas vezes controversos àquele sistema de produção, como é o caso do Nordeste do país, acaba gerando conflitos na produção,” explica a professora de Zootecnia da UFS, Patrícia Azevedo do Vale.

A pesquisadora ressalta que, quando o ambiente não proporciona a chamada zona de conforto térmico, o animal, muitas vezes, não consegue produzir aquilo que estaria apto, seja pela nutrição, pela genética, ou pelo manejo. Ela acrescenta que não é possível controlar o tempo, mas sim como essas condições podem influenciar o desempenho de bovinos, por exemplo.

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Os benefícios do uso do equipamento no monitoramento do conforto térmico de vacas na Fazenda Santa Clara, em Nossa Senhora da Glória, são considerados promissores pelos pesquisadores. Os resultados dos testes feitos com o aparelho na propriedade ajudaram a comprovar a eficiência da estrutura montada no local para garantir o bem-estar dos animais.

“Tivemos a certeza de que o galpão construído para comportar as vacas está sendo eficiente. Com o uso do aparelho, conseguimos avaliar a temperatura dentro e fora do galpão, bem como a umidade. Isso permitiu sair do achismo para a certeza de que as vacas realmente estão confortáveis termicamente,” conta a zootecnia da propriedade rural, Keyla Natani.

Estudante de Engenharia Agrícola da UFS, Eduardo José Santos lidera o desenvolvimento da solução inovadora sob orientação dos professores Welington e Patrícia. Segundo ele, a finalidade da ferramenta é auxiliar o produtor rural na tomada de decisão com o rebanho.


Eduardo José Santos desenvolveu o equipamento através de edital de inovação da UFS
Eduardo José Santos desenvolveu o equipamento através de edital de inovação da UFS

“Com as informações em mãos, o produtor pode tomar algumas atitudes, como ajustar o sistema de ventilação, melhorando o conforto do animal e, com isso, aumentando a produtividade, tendo menos gastos. Quando o animal está no seu bem-estar, ele gasta menos energia se autorregulando e consumindo menos ração,” aponta o estudante.

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“Esse projeto é importante porque conseguimos trazer as soluções que já existem no mercado, baixando o custo de desenvolvimento e produção, tornando acessível para pequenos produtores que possam usar esse tipo de tecnologia de agricultura de digital em suas propriedades,” complementa.

PICS

O Programa de Indução à Criação de Startups da UFS busca estimular a abertura de startups em Sergipe, contribuindo com o desenvolvimento socioeconônimo do estado. Lançada ano passado, a primeira edição do PICS explorou o eixo temático de saúde e qualidade de vida.

Josafá Neto - Rádio UFS

comunica@academico.ufs.br


Atualizado em: Sex, 12 de agosto de 2022, 10:53
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