Ter, 25 de setembro de 2018, 17:48

Inventário identifica 24 novas espécies na vegetação do campus de São Cristóvão
Levantamento atualiza censo realizado entre 2008 e 2009

Desde 2005, a expansão da Universidade Federal de Sergipe gerou a supressão de parte das árvores do campus de São Cristóvão e sua reposição através de um projeto de restauração. Um artigo publicado recentemente pelo Grupo Restauração, liderado pelo professor Robério Anastácio Ferreira, analisou esse processo e constituiu um inventário da vegetação do campus.

O estudo foi desenvolvido em 2015 pela equipe coordenada pelo docente do Departamento de Ciências Florestais. Eles identificaram 96 espécies, sendo que 24 delas não haviam sido apontadas no levantamento anterior, realizado entre 2008 e 2009.

O primeiro inventário registrou 2.108 indivíduos pertencentes a 72 espécies. Já o censo de 2015 encontrou 2.382 indivíduos arbóreos inseridos no perímetro cercado da UFS, distribuídos em 26 famílias botânicas, 76 gêneros e 96 espécies, 9 das quais não foram identificadas (7 por não apresentarem material botânico completo e 2 delas devido à ausência de copa, impossibilitando sua identificação).


O censo das árvores foi realizado no perímetro cercado da universidade no período de dezembro de 2014 a janeiro de 2015
O censo das árvores foi realizado no perímetro cercado da universidade no período de dezembro de 2014 a janeiro de 2015

As espécies que predominam no campus são: Clitoria fairchildiana (cássia azul), Azadirachta indica (neem), Cocos nucifera (coqueiro), Anacardium occidentale (caju) e Mangifera indica (mangueira). O artigo afirma ainda que os aspectos de arborização do campus de São Cristóvão se assemelham aos da capital Aracaju pela incidência das espécies Benth. (mata-fome) e Cocus nucifera (coqueiro) e pela presença das famílias botânicas Arecaceae, Fabaceae e Bignoniaceae.

Segundo a pesquisa, fizeram parte do inventário todas as árvores com o diâmetro maior que 5 cm e os parâmetros avaliados foram a densidade absoluta e relativa; dominância absoluta e relativa e o índice de valor de cobertura.


"O inventário surgiu, também, para conhecermos o patrimônio arbóreo do campus de São Cristóvão", relata o professor Robério Anastácio Ferreira (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)
"O inventário surgiu, também, para conhecermos o patrimônio arbóreo do campus de São Cristóvão", relata o professor Robério Anastácio Ferreira (Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS)

De acordo com Robério Anastácio, o primeiro inventário da vegetação do campus de São Cristóvão surgiu quando houve, em 2005, uma grande expansão física da universidade. “Com o crescimento da UFS, pensamos em criar o inventário da universidade para que a expansão causasse o menor impacto possível”, conta.

Em 2015, o professor, que trabalha com a área de pesquisa em restauração de áreas degradadas, percebeu que a intensidade da expansão havia aumentado e que um novo levantamento deveria ser feito.

“Estávamos com um corte grande de árvores no campus e, nesse cenário, fizemos outro inventário para então comparar os resultados de 2015 com os do primeiro levantamento e conhecer de fato qual era o patrimônio arbustivo do campus”, explica.

Além disso, para o pesquisador, o número de árvores suprimidas tinha aumentado e o projeto precisava promover algo para restaurar a paisagem do campus. “1100 árvores foram suprimidas entre 2008 e 2015, um terço da vegetação do campus”, justifica o professor Robério Anastácio, sobre o projeto “Restauração da paisagem do campus”.

Restauração

Vinculados ao Programa de Apoio do Desenvolvimento da Aprendizagem Profissional (PRODAP), uma equipe composta por alunos de graduação da Engenharia Florestal e Agronômica, plantou sementes no campus no período entre 2007 e 2009.

O professor relata que desde 2005, os processos de expansão física do campus de São Cristóvão são constantes e que o projeto possui diversos objetivos. “O objetivo é diminuir os impactos ambientais que o crescimento da UFS pode trazer, auxiliar na gestão das áreas verdes existentes e tentar conservar o patrimônio e a diversidade da sua flora”, relata.

Robério salienta também que, devido ao plantio das sementes, atualmente o campus é mais arborizado. “Já é possível ver os resultados do que foi plantado nesse período. Hoje, se comparado há 10 anos, o campus é mais arborizado”, conta o pesquisador.

Segundo o professor, consequências positivas advêm da preservação da vegetação do campus. “[A área verde] contribui para uma redução significativa da temperatura no espaço e melhora a qualidade de vida. É possível sentir, claramente, que ao sair do campus para o centro de Aracaju a temperatura altera para uma diferença de no mínimo 3 graus, porque pela cobertura da vegetação existente no campus há uma redução da temperatura”, explica.

Para ele, uma coisa não pode ser em detrimento de outra. “A universidade pode chegar a ter muito mais espécies se todo projeto de expansão física for pensando nos impactos ao patrimônio de vegetação”, salienta.

Saiba mais

O artigo intitulado “A vegetação do campus da Universidade Federal de Sergipe: florística e fitossociologia” foi publicado pela Revista Brasileira de Arborização Urbana – clique aqui.

Paulo Marques (bolsista)

Marcilio Costa

comunica@ufs.br


Atualizado em: Ter, 25 de setembro de 2018, 17:57
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